Cidades para se perder nos mercados: de Istambul ao Cairo

Cidades para se perder nos mercados: de Istambul ao Cairo

Cidades para se perder nos mercados: de Istambul ao Cairo

Uma imersão profunda nos bazares históricos que moldaram o comércio do Mediterrâneo e do Oriente

Perder-se nos mercados tradicionais do Oriente e do Mediterrâneo é vivenciar séculos de circulação de mercadorias, técnicas artesanais e práticas sociais que sustentaram impérios e conectaram continentes. Entre Istambul (Turquia) e Cairo (Egito), dois dos mais emblemáticos centros urbanos da história, os bazares preservam uma rede viva de relações econômicas, mestres artesãos e objetos que traduzem a continuidade cultural de diversas civilizações.

A Turkish Airlines, companhia que voa para mais países no mundo, segundo o Guinness World Records®, desempenha hoje o papel contemporâneo de conectar essas regiões por meio de seu hub em Istambul, permitindo que o viajante moderno acesse locais que foram pilares do comércio desde a Antiguidade e, especialmente, do comércio otomano.

Leia também: Turkish Airlines lança conteúdo para crianças no entretenimento a bordo

Cidades para se perder nos mercados: de Istambul ao Cairo
Cidades para se perder nos mercados: de Istambul ao Cairo

Istambul: o coração histórico das rotas comerciais entre Europa e Ásia

A história dos mercados de Istambul antecede o próprio Império Otomano. Ainda no período bizantino, a cidade — então Constantinopla — já desempenhava papel crucial na ligação entre o Mediterrâneo e a Ásia Central. Com a conquista otomana em 1453, o comércio urbano foi reorganizado com base no sistema de guildas (esnafs), que regulavam produção, qualidade e transmissão de ofícios. Esse modelo deu origem ao que hoje conhecemos como os grandes bazares da cidade.

Grande Bazar de Istambul: um sistema urbano de comércio contínuo desde o século XV

Construído logo após a conquista de Mehmed II, o Grande Bazar de Istambul (Kapalıçarşı) tornou-se um dos maiores complexos comerciais cobertos do mundo. Originalmente iniciado como dois grandes bedestens (armazéns de alto valor), o mercado expandiu seus corredores ao longo dos séculos XVI e XVII, acompanhando o crescimento econômico otomano.

Hoje, ocupa mais de 30 mil m², abrigando cerca de 4.000 lojas distribuídas por 61 ruas internas, cada uma historicamente associada a um tipo de produto ou ofício — joias, cerâmicas, tapetes, bordados, luminárias, couros, produtos de cobre e prata, utensílios domésticos, antiguidade, perfumes, louças de Iznik e objetos religiosos.

O visitante atento também percebe elementos arquitetônicos que revelam sua antiguidade:

  • abóbadas decoradas, reconstruídas após terremotos;
  • portões monumentais, como o Nuruosmaniye Kapısı;
  • hanes (pátios internos com oficinas preservadas);
  • e lojas que ainda funcionam segundo práticas tradicionais de produção.

Comprar no Grande Bazar é vivenciar um ritual histórico: o processo de negociação, a hospitalidade com chá oferecido pelo comerciante, a explicação sobre origem e materiais. Nada ali é improvisado; tudo segue modelos transmitidos por séculos.

Bazar das Especiarias: a rota de aromas e produtos orientais desde o século XVII

O Bazar das Especiarias (Mısır Çarşısı), inaugurado em 1664 como parte do complexo da Mesquita Nova, mantém seu papel histórico como centro de comércio de produtos vindos do Egito e do Mediterrâneo Oriental. O nome “Mısır” se refere justamente ao Egito, então parte fundamental da logística imperial.

Ali encontram-se:

  • açafrão, cardamomo, anis, zátar e cominho;
  • castanhas, damascos, tâmaras e figos secos;
  • mel turco, delícias turcas (lokum), halva e pastas de pistache;
  • chás aromáticos, misturas medicinais e fragrâncias tradicionais;
  • incensos, sabonetes artesanais e óleos essenciais.

Além dos produtos, o mercado preserva elementos originais do século XVII, como a estrutura abobadada e as lojas ainda controladas por famílias que atuam há gerações.

Arasta Bazaar e outros mercados especializadosCidades para se perder nos mercados: de Istambul ao Cairo

O Arasta Bazaar, localizado atrás da Mesquita Azul, remonta ao período otomano e foi historicamente destinado à venda de tapetes, bordados e artigos têxteis. Hoje, concentra peças produzidas manualmente por artesãos da Anatólia e da Capadócia, incluindo kilims tradicionais, cerâmicas de Çanakkale e bordados de seda.

Cidades para se perder nos mercados: de Istambul ao Cairo

O Mahmutpaşa, rua comercial existente desde o século XV, representa o comércio cotidiano típico da cidade, onde os moradores compram roupas, tecidos, artigos domésticos e pequenos utensílios.

Esses mercados compõem o tecido urbano de Istambul: espaços que preservam práticas comerciais centenárias e demonstram a continuidade cultural de uma cidade construída sobre a interação entre povos.


Cairo: artesanato, comércio ancestral e mercados que atravessam séculos

Assim como Istambul, o Cairo consolidou sua identidade através de seus mercados. A cidade, fundada no século X, tornou-se um dos principais centros comerciais do mundo islâmico. Ali, as rotas do Magrebe, do Mediterrâneo, do Mar Vermelho e do Oriente convergiam, garantindo riqueza e variedade de produtos.

Qasaba de Radwan Bey: tradição têxtil desde o século XVII

Datada do século XVII, a Qasaba de Radwan Bey foi construída como parte de um complexo de caravançarás, mesquitas e corredores comerciais. É especialmente conhecida pela produção da khayamiya, técnica artesanal de tenda bordada que une patchwork e geometria islâmica.

Os artesãos, instalados em oficinas familiares, produzem painéis, tapetes, almofadas e grandes tendas utilizadas em cerimônias e celebrações. É um dos poucos locais do Egito onde a técnica ainda é praticada de forma manual.

Khan el-Khalili: o grande mercado mameluco

O Khan el-Khalili, fundado no século XIV durante o período mameluco, é um dos mercados mais antigos do mundo ainda em funcionamento. Originalmente concebido como um caravançará para mercadores estrangeiros, expandiu-se ao longo dos séculos até se tornar o coração comercial do Cairo.

Entre os produtos mais procurados estão:

  1. joias e objetos em prata trabalhada;
  2. luminárias em latão recortado;
  3. narguilés;
  4. especiarias e incensos;
  5. cerâmica e alabastro;
  6. perfumes e essências tradicionais;
  7. tecidos bordados e artigos decorativos.

O Café El-Fishawy, ativo desde 1797, representa a continuidade cultural do espaço. Frequentado por artistas e escritores, tornou-se ponto de encontro histórico da vida literária cairota.


Cidades para se perder nos mercados: de Istambul ao Cairo: Turkish Airlines: a ponte contemporânea entre mercados, culturas e rotas históricas

A Turkish Airlines opera 11 voos semanais entre São Paulo (GRU) e Istambul (IST), fornecendo acesso direto tanto aos bazares da Turquia quanto a destinos como o Cairo. Seu hub no Aeroporto de Istambul é reconhecido pela modernidade e pelos lounges que refletem elementos da cultura turca, integrando gastronomia, design e hospitalidade.

Por meio dos programas Stopover e Touristanbul, o passageiro pode transformar uma conexão em oportunidade para explorar bazares históricos, arquitetura otomana e marcos culturais das cidades ligadas pela antiga rota do Mediterrâneo.

Elizabeth Werneck